A Aldeia de Ameixial

AMEIXIAL

A Aldeia de Ameixial

A aldeia de Ameixial está instalada na Serra do Caldeirão, no limite norte do concelho de Loulé, na fronteira com Almodôvar, Alentejo. É sede de freguesia, numa área total de cerca de 121,35km2, abrangendo numerosas povoações, como Besteiros, Vermelhos, Revezes, Corte João Marques, Corte de Ouro, entre outras. A maior parte da região drena para a bacia hidrográfica da Ribeira do Vascão, um dos principais cursos de água no Algarve, que aqui se evidencia pela sua extensão e largura, bem como por todo património natural e cultural a ele associado. A ocupação do solo é maioritariamente florestal, com diversos espaços agrícolas – sobretudo nos vales ribeirinhos – com predominância do sobreiro e Azinheira. Resultado desse facto, existe ainda uma actividade económica directamente associada à exploração da cortiça, e outra indirecta, através, nomeadamente, da produção de aguardente de medronho e mel. O pastoreio é outra actividade presente nesta região, sobretudo de cabra-algarvia.

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Natureza

A paisagem característica desta freguesia é, em grande medida, semelhante à que se observa na restante serra, com extensos bosques de sobreiro, estevais, tojais, urzais e medronhais. A norte, contudo, nas imediações com o Vascão e o Alentejo, o relevo torna-se menos acidentado e o bosque de azinhal adquire especial relevância. Há uma maior presença de campos agrícolas, sobretudo para pastagens e, nos vales fluviais ainda podemos encontrar vários hortejos tradicionais activos. A Ribeira do Vascão é uma marca distintiva nesta região favorecendo a ocorrência de uma rica fauna e flora, reconhecida internacionalmente pela sua inclusão em Rede Natura 2000, no Sítio “Guadiana” e Sítio Ramsar. São cerca de 525ha desta freguesia que constam nesta rede europeia de espaços protegidos devido, em particular, a um conjunto de espécies protegidas, como o Lince-ibérico, a Lontra ou diversos peixes autóctones e migradores, como o muito ameaçado Saramugo, a Cumba ou a Lampreia-marinha.

A avifauna é bastante rica nesta zona, com destaque para a nidificação da Águia de Bonelli, da Águia-cobreira, do Bufo-real, do Rouxinol-do-mato ou da Toutinegra-real. Além destas, destaque ainda para a ocorrência irregular de Águia-real, Grifo e até mesmo da Águia-imperial.

O Património cultural

Esta é uma região com um património cultural bastante interessante, notável até. Salienta-se, em particular, a componente arqueológica, que aqui adquire um significado muito especial e que projecta esta região de forma distintiva. Esta importância deve-se à existência de um conjunto de monumentos megalíticos, nomeadamente duas antas ou dólmens, a “Pedra do Alagar” e a “Anta do Beringel” – estruturas de grandes pedras cobertas por terra onde se enterravam os mortos, com cerca de 5.000 anos –, e ao registo de várias estelas com escrita do Sudoeste – lajes de xisto onde se registaram os primeiros indícios de comunicação escrita na Península Ibérica –, datadas entre o séc. VIII e o IV A.C. Ameixial, juntamente com o Baixo Alentejo, constituem a principal zona de achados arqueológicos desta natureza, derivando daí a expressão “escrita do Sudoeste”. Á parte deste património, destaque ainda para outros elementos ancestrais relevantes, como enterramentos em cistas da Idade do Bronze, povoados islâmicos – como é o caso das origens do Azinhal dos Mouros -, entre outros sítios, espalhados um pouco por toda a freguesia e junto dos montes aí existentes.

As Aldeias

A evolução de Ameixial está muito associada à história das acessibilidades ao Algarve, especialmente por estar situada junto ao principal acesso rodoviário de ligação desta região ao resto do país, propiciando a movimentação de pessoas e bens pela serra. Nas memórias paroquiais de 1758, na descrição da aldeia é feita a menção a três estalagens que serviam de apoio aos viajantes, descanso dos animais e quaisquer pequenas reparações para prosseguir viagem, o que atesta a importância que já então detinha como ponto de ligação do Algarve ao Reino. Adiciona-se, ainda, o facto de aí existir uma estação de abastecimento de combustível, cuja obra remonta ao século passado, a uma intervenção da antiga JAE – Junta Autónoma de Estradas, dada a necessidade de dotar a aldeia de estruturas de apoio aos viajantes. Desse projecto resultou o edifício original que ainda hoje se conserva quase inalterado, bem como a construção de várias casas de cantoneiros e edifícios de apoio, cuja arquitectura é em muito comum com a dessa estação. Este é, aliás, outro aspecto a notar na região, nas pequenas aldeias que salpicam a serra: a presença evidente da arquitectura tradicional, baseada nas artes ancestrais da construção com o xisto e nalguns locais, a taipa. Embora na maioria das aldeias da freguesia – à semelhança de muitas outras na região – a desertificação tem ditado a sua ordem no seu quase desaparecimento, ainda é possível encontrar povoações habitadas, relativamente bem conservadas e com uma conjunto de aspectos culturais de interesse. Uma especial referência a Corte de Ouro, com os seus palheiros circulares e cabanas, Azinhal dos Mouros pela sua história antiga, Vermelhos pela outrora grande importância económica ou Corte João Marques pela fortaleza que acolheu no passado.

Actividade humana

A actividade humana neste território é ancestral e muito ligada à floresta e agricultura. Ainda hoje assim o é. Por isso não é de estranhar a existência de vários pastores nesta terra, sobretudo de gado caprino e ovino para produção de carne e leite. 

A actividade corticeira é generalizada, constituindo uma das mais importantes fontes de receitas para os habitantes locais, bem como a produção de aguardente de medronho, existindo nesta freguesia várias destilarias.  A apicultura é outra actividade bem implantada em Ameixial, juntamente com pequenas outras actividades ligadas à agricultura.